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and He takes...

 



I don’t know if you ever knew this, or if you ever needed to.

But you were the quiet constant in my mind. Not an escape. Not a fantasy. Just you—settling into me like you belonged there, even without a meeting, a voice, or a single shared memory.

I thought of you in the pauses between things. In the moments when life got loud and heavy. You were the silence that made sense of it. And I won’t lie—thinking of you wasn’t always innocent. Sometimes it was tender, sometimes it was electric. Loving you didn’t ask for permission or proof. It just happened. Like gravity. Like heat finding skin.

We never met, and somehow… that’s okay. Meaning isn’t measured by touch alone, though God knows I imagined it. It’s measured by impact. You shaped me without touching me. You stirred things in me without ever being mine—and that takes a special kind of power.

If there’s one thing I want you to know, it’s this:

You were never an illusion. You were a choice my mind made again and again, because something about you felt true. And tempting. And worth leaning into. You were the thought that lingered too long, the smile I replayed, the “what if” that refused to die.

Live fully. Love recklessly. Never shrink yourself for anyone.

And please—stop feeling lonely. Somewhere in the strange math of this universe, you were desired. Wanted. Loved completely, quietly, without conditions.

That’s enough for me.

And if you’re reading this, it means I’ve already left. I didn’t want to go without meeting you—without seeing how close I’d have to stand to feel your warmth, without finding out if your presence felt as dangerous as it did in my head. But destiny doesn’t ask for permission.

I believe in an afterlife. I like to imagine us there—no distance, no missed timing, just that look between two people who finally don’t have to wonder. You believe in reincarnation, so if that’s how things work, then I hope I’m born somewhere that makes destiny braver next time… or at least more impatient.

Don’t be sad, my soul. Smile the way you always do. It does things to people. It always did things to me.

And I need to say this, because it’s true:

You are the most beautiful girl I’ve ever seen. Your eyes pull harder than a black hole, and I never once wanted to escape them. The best picture I’ve ever seen of you wasn’t dressed up or polished—it was the one without makeup. Just you. Bare. Real. Unfairly attractive.

Promise me something. Try—really try—to be happy. Fight your depression the way you’d fight for someone you love. Because you are worth desire, laughter, hands that want you, and a life that feels warm again.

Somewhere—now or later—I’ll be thinking of you the same way I always did.


- Khaled

das memórias perdidas


Era um poço no alto de uma montanha, e, como todos os poços, havia algo de mágico nele: senão um poço de desejo o simples fato de jorrar água das entranhas da Terra.
No entanto este poço de desejos não era e moeda alguma ali faria efeito. O poço era das memórias.
Era modesto e pouco visitado, com suas bordas corroídas pelo tempo e sua aparência singela que só as coisas realmente especiais têm.
Se você se punha a observar, veria os viajantes cansados e com grandes mochilas cheias de vida e tempo nas costas encurvadas, que por ali passavam. Eles chegavam, lavavam os rostos suados e em seguida vinha à decisão: quereriam abrir mão de uma memória? Seria ela doce? Latente? Seria amarga? Teria o viajante coragem de abrir mão de parte de si para sempre?
Este era o preço que o poço cobrava: em troca da paz e do esquecimento deveríamos abrir mão de uma preciosa memória.
Não culpemos o poço. Era a fonte de vida dele, acorrentado como estava no topo daquela montanha solitária. Como poderia viver e desabrochar em águas sem estimulo algum? Ele bebia das memorias dos viajantes como estes bebiam de suas águas.
Então ela, que só observava à distância, viu que àquela hora o poço estava vazio. Aproximou-se e olhou para dentro e só o que pôde ver foi dentro de si mesma e toda sua vida foi como que revivida. Todas as dores, todos os amores, derrotas e vitórias, conquistas e perdas. Então ela se deu conta que aquilo tudo nada valia. Era só peso e dor.
Ela se ajoelhou diante do poço e encostou sua cabeça em sua borda fria e pensou na sua memória mais linda. Ela se agarrou aquela simples memória e mergulhou inteira no poço. Este a envolveu com suas águas e a possuiu como ela jamais havia possuído a si mesma.
Deixou-se lavar de toda a sua vida até então, mas de uma única memória ela não abriria mão, de resto ela queria apagar-se inteira.
Uma a uma ela sentia sair de si uma coisa vivida, como um fio finíssimo saindo do fundo de sua alma, e a cada fio retirado ela foi-se sentindo leve e ligeira como uma pluma. “Apenas uma”, ela sussurrava, “apenas desta eu não posso abrir mão”.
Ela se viu, então, nua de si e da vida que vivera até então dentro de um poço qualquer. Em paz, ela levantou-se e seguiu seu caminho com uma única memória a deleitá-la: duas meninas com os olhos cheios de esperança, uma deitada sobre o colo da mais nova que recitava uma poesia e a outra escutava atentamente enquanto retirava o cabelo que teimava em cair nos olhos da primeira. E seguiram assim, pagãs inocentes a ler poesia sem esperar por mais nada por todo o sempre.



- Roza Larissa


07/07/2014


Uma homenagem à minha eterna Suzana Pires, no dia que pude ler a última poesia para ela nesta vida: O Convite À Viagem de Charles Baudelaire.

ressurgência do silêncio



O teu silêncio é um mar onde navego. Tua palavra, porto passageiro onde abasteço de sorrisos os meus dias, mas a tua presença é terra firme e distante, inalcançável no horizonte e por isso mesmo bela e desejável. 

O teu silêncio afoga minhas alegrias, inunda minhas saudades. Cada palavra que calas é um fôlego que perco. 

Fala! Diz-me o que sentes ou o que não sentes. Diz-me o que respiro para ouvir. Lança ao mar onde me afogo uma palavra em que eu possa me ancorar.  

Mas o teu silêncio impera, Netuno cruel, sobre meus dias. Eu ouso estender a mão para tocá-lo, mas nado para longe e refugio-me em ilhas seguras de palavras afáveis e mãos carinhosas que passeiam por meus cabelos. Que mais posso fazer senão aceitar?

Tuas palavras, antes belas hoje apodrecem em minha boca. Teu olhar se desbota em meus pensamentos, tua presença escoa do meu peito, vaza pelas minhas mãos em prece. Não, não tentarei apará-la. 

Vai! Vai, escoa, vaza, goteja para longe de mim! Vai e que o mar te leve para um destino incerto e que as ondas apaguem as pegadas ligeiras que deixaste no areal outrora calmo, hoje em fúria, dos meus anseios. 

Vomito pelos olhos e dedos todo e qualquer sentimento que tenho – tenho! -, por ti. Mas vai! Não tentes mais plantar mentiras no solo fértil do meu amor.



p.s.: Ressurgência - É um fenômeno marítimo que consiste no afloramento de águas profundas e frias à superfície.


dos sonhos

Acordou e já não era a mesma que tinha adormecido. 
Algo se perdera. Algo de essencial se esvanecera junto com o sonho da madrugada anterior. 
Ela não conseguia lembrar o que. Entregando-se aquela sensação, põe-se a procurar pelo quarto algo que não sabia haver perdido. 
Para um pouco e pensa. Estivera aquela sensação sempre ali ou realmente nascera na noite anterior? 
Sentira-se alguma vez completa? 
Talvez naquele fatídico sonho conseguira olhar-se inteira num espelho qualquer, onde qualquer outra realidade que não a sua lhe sorrira e, deslumbrada, agarrara-se aquele reflexo e tomara-o como seu. 
Mas não seria aquilo que sentia agora o certo?
Não seria a insatisfação e o vazio companheiros constantes?
Senta-se lentamente na cama, procura o isqueiro e algum outro tipo de alívio. 
Expira. 
É cada sonho estranho que temos...

da desconcertante leveza do amor


Mas o amor é só uma coisa ligeira que voa pra lá e pra cá e pousa às vezes junto com a conveniência.
E nós não podemos agarrar o amor, então nós agarramos as pessoas onde um dia ele pousou ou onde o nosso equivocado coração acha que ele vai pousar.

E quem ouviu falar da capacidade do amor em nos pregar peças? Arranjando morada nos lugares mais esquisitos, nas pessoas que menos esperamos.

Às vezes ele pousa numa palavra proferida em um determinado tom de voz, num olhar mudo e que dizia tanto, num toque inesperado... Mas só pra levantar voo em seguida e nós ficamos feito Pierrot a coçar a cabeça e lágrima pendurada no olho a pensar: “mas ele estava ali agorinha mesmo...”.

O meu amor e eu vivemos um eterno jogo de esconde-esconde. Eu já disse pra ele que cresci e que essa brincadeira nem tem graça, mas ele não me dá atenção, ocupado demais voando por ai.

A Saudade, chorosa diz que faz tempo não o vê por aqui. A Esperança nem me escuta, ansiosa demais a esperar na esquina, a Sra. Raiva mente orgulhosa, dizendo que nem sabe quem é esse tal de Amor e nem quer saber. E tem uma tal Paixão que vive brincando comigo, usando as vestes do Amor e querendo se passar por ele.
Acabei de encontrar uma velhinha sisuda chamada Sapiência que, com um dedo magro apontando pro meu nariz, disse que estou procurando fora uma coisa que tem que estar dentro. Eu não entendi muito bem, mas ela prometeu voltar em alguns anos pra me explicar.

Os dias passam, as horas gotejam dos relógios e quando eu estou distraída consolando D. Mágoa que teima em me visitar contra todos os meus desejos, eis que vislumbro o Amor ameaçando pousar em determinada pedra, longe, longe e eu não quero me enganar, correndo atrás dele para chegar lá e ser só outro sentimento espertinho querendo brincar comigo.
Então o deixo ali e vou seguindo meu caminho, deixando um rastro de pedacinhos, mas não é de pão, porque amor não come pão, amor se alimenta de carinho.
E o rastro onde vai acabar?
Onde mais seria?
Ele acaba onde aquela velhinha me disse um dia, ele acaba dentro de mim.