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das memórias perdidas
Era um poço no alto de uma montanha, e, como todos os poços, havia algo de mágico nele: senão um poço de desejo o simples fato de jorrar água das entranhas da Terra.
No entanto este poço de desejos não era e moeda alguma ali faria efeito. O poço era das memórias.
Era modesto e pouco visitado, com suas bordas corroídas pelo tempo e sua aparência singela que só as coisas realmente especiais têm.
Se você se punha a observar, veria os viajantes cansados e com grandes mochilas cheias de vida e tempo nas costas encurvadas, que por ali passavam. Eles chegavam, lavavam os rostos suados e em seguida vinha à decisão: quereriam abrir mão de uma memória? Seria ela doce? Latente? Seria amarga? Teria o viajante coragem de abrir mão de parte de si para sempre?
Este era o preço que o poço cobrava: em troca da paz e do esquecimento deveríamos abrir mão de uma preciosa memória.
Não culpemos o poço. Era a fonte de vida dele, acorrentado como estava no topo daquela montanha solitária. Como poderia viver e desabrochar em águas sem estimulo algum? Ele bebia das memorias dos viajantes como estes bebiam de suas águas.
Então ela, que só observava à distância, viu que àquela hora o poço estava vazio. Aproximou-se e olhou para dentro e só o que pôde ver foi dentro de si mesma e toda sua vida foi como que revivida. Todas as dores, todos os amores, derrotas e vitórias, conquistas e perdas. Então ela se deu conta que aquilo tudo nada valia. Era só peso e dor.
Ela se ajoelhou diante do poço e encostou sua cabeça em sua borda fria e pensou na sua memória mais linda. Ela se agarrou aquela simples memória e mergulhou inteira no poço. Este a envolveu com suas águas e a possuiu como ela jamais havia possuído a si mesma.
Deixou-se lavar de toda a sua vida até então, mas de uma única memória ela não abriria mão, de resto ela queria apagar-se inteira.
Uma a uma ela sentia sair de si uma coisa vivida, como um fio finíssimo saindo do fundo de sua alma, e a cada fio retirado ela foi-se sentindo leve e ligeira como uma pluma. “Apenas uma”, ela sussurrava, “apenas desta eu não posso abrir mão”.
Ela se viu, então, nua de si e da vida que vivera até então dentro de um poço qualquer. Em paz, ela levantou-se e seguiu seu caminho com uma única memória a deleitá-la: duas meninas com os olhos cheios de esperança, uma deitada sobre o colo da mais nova que recitava uma poesia e a outra escutava atentamente enquanto retirava o cabelo que teimava em cair nos olhos da primeira. E seguiram assim, pagãs inocentes a ler poesia sem esperar por mais nada por todo o sempre.
- Roza Larissa
07/07/2014
Uma homenagem à minha eterna Suzana Pires, no dia que pude ler a última poesia para ela nesta vida: O Convite À Viagem de Charles Baudelaire.
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ressurgência do silêncio
O
teu silêncio é um mar onde navego. Tua palavra, porto passageiro onde abasteço
de sorrisos os meus dias, mas a tua presença é terra firme e distante,
inalcançável no horizonte e por isso mesmo bela e desejável. O teu silêncio afoga minhas alegrias, inunda minhas saudades. Cada palavra que calas é um fôlego que perco.
Fala! Diz-me o que sentes ou o que não sentes. Diz-me o que respiro para ouvir. Lança ao mar onde me afogo uma palavra em que eu possa me ancorar.
Mas o teu silêncio impera, Netuno cruel, sobre meus dias. Eu ouso estender a mão para tocá-lo, mas nado para longe e refugio-me em ilhas seguras de palavras afáveis e mãos carinhosas que passeiam por meus cabelos. Que mais posso fazer senão aceitar?
Tuas palavras, antes belas hoje apodrecem em minha boca. Teu olhar se desbota em meus pensamentos, tua presença escoa do meu peito, vaza pelas minhas mãos em prece. Não, não tentarei apará-la.
Vai! Vai, escoa, vaza, goteja para longe de mim! Vai e que o mar te leve para um destino incerto e que as ondas apaguem as pegadas ligeiras que deixaste no areal outrora calmo, hoje em fúria, dos meus anseios.
Vomito pelos olhos e dedos todo e qualquer sentimento que tenho – tenho! -, por ti. Mas vai! Não tentes mais plantar mentiras no solo fértil do meu amor.
p.s.: Ressurgência - É um fenômeno marítimo que consiste no afloramento de águas profundas e frias à superfície.
da desconcertante leveza do amor
E nós não podemos agarrar o amor, então nós agarramos as pessoas onde um
dia ele pousou ou onde o nosso equivocado coração acha que ele vai pousar.
E quem ouviu falar da capacidade do amor em nos pregar peças? Arranjando
morada nos lugares mais esquisitos, nas pessoas que menos esperamos.
Às vezes ele pousa numa palavra proferida em um determinado tom de voz,
num olhar mudo e que dizia tanto, num toque inesperado... Mas só pra levantar
voo em seguida e nós ficamos feito Pierrot a coçar a cabeça e lágrima pendurada
no olho a pensar: “mas ele estava ali agorinha mesmo...”.
O meu amor e eu vivemos um eterno jogo de esconde-esconde. Eu já disse
pra ele que cresci e que essa brincadeira nem tem graça, mas ele não me dá
atenção, ocupado demais voando por ai.
A Saudade, chorosa diz que faz tempo não o vê por aqui. A Esperança nem
me escuta, ansiosa demais a esperar na esquina, a Sra. Raiva mente orgulhosa,
dizendo que nem sabe quem é esse tal de Amor e nem quer saber. E tem uma tal
Paixão que vive brincando comigo, usando as vestes do Amor e querendo se passar
por ele.
Acabei de encontrar uma velhinha sisuda chamada Sapiência que, com um
dedo magro apontando pro meu nariz, disse que estou procurando fora uma coisa
que tem que estar dentro. Eu não entendi muito bem, mas ela prometeu voltar em
alguns anos pra me explicar.
Os dias passam, as horas gotejam dos relógios e quando eu estou distraída
consolando D. Mágoa que teima em me visitar contra todos os meus desejos, eis
que vislumbro o Amor ameaçando pousar em determinada pedra, longe, longe e eu
não quero me enganar, correndo atrás dele para chegar lá e ser só outro
sentimento espertinho querendo brincar comigo.
Então o deixo ali e vou seguindo meu caminho, deixando um rastro de pedacinhos, mas não é de pão, porque amor não come pão, amor se alimenta de carinho.
E o rastro onde vai acabar?
Onde mais seria?
Ele acaba onde aquela velhinha me disse um dia, ele acaba dentro de mim.
Narciso
Quem vai te
amar?
Quem vai
segurar tua mão fria e sussurrar que você não está sozinha?
Quem vai
nadar e se perder no teu olhar?
Levantar teu
queixo e tua moral? Quem?
Quem vai
estar em casa te esperando louco pra ouvir sobre teu entediante dia?
Quem vai te
preencher ao ponto de você não precisar mais de conquistas baratas?
Quem vai te
saciar, quem vai te amar?
Você seria
capaz de me amar?
Você seria
capaz de desviar seu olhar do meu?
Você seria
capaz de resistir à minha realidade?
Ao que eu sou
ao que penso?
Você seria
capaz de me amar?
E um espelho
é tudo o que há diante de mim.
Negativas
Não ilumine meus dias.
Não me fale de cinema ou daquela canção que,
pensava, só eu conhecia.
Não ria do meu humor negro.
Não, não goste das minhas poesias.
Não escute músicas comigo até tarde da noite, a
sós, calados, não deixe seus olhos encontrarem os meus.
Não saia para se divertir comigo. Não diga com
simplicidade o quão linda é a cidade.
Não roube as minhas frases favoritas.
Não pareça impressionado por eu ser mais do que pensavas.
Não, não segure minhas mãos frias.
Não se aproxime tanto. Não me deixe sentir teu
cheiro.
Não me beije assim tão apaixonadamente.
Não me deixe fechar meus olhos. Não me deixe te
perder de vista.
Não pense em quão breve é o momento. Não pense.
Sinta.
Não me abrace. Não me toque, não tão
tentadoramente.
Não me deixe abrir os olhos. Não quero ver o
amor que você não sente.
do teu aniversário
“A vida é uma busca
inutil de um objetivo impossivel...”
Valzinha são 05 da
manhã do teu aniversario. A essa data vários anos atras, nascia uma menininha
provavelmente feinha, com cara de joelho, como todos os recem nascidos do
mundo, só que essa menina, tinha um diferencial: Ela seria minha melhor amiga.
Ela ia me ajudar, me
ouvir, brigar e olhar de cara feia quando eu fizesse algo de errado... E eu me
sinto tão, mas tão grata por ter alguem como tu na minha vida... Todo o resto é
futilidade. Tu não. Eu posso ser profunda e verdadeira contigo, e tu entende,
porque tu também o és.
Não podemos pensar que
não nos encaixamos. Porque deveríamos nos encaixar em algum lugar? Estamos aqui
graças a um acaso. Essa historia de pensar que fomos escolhidos entre milhoes
de esperminhas do cão, é ilusão. Na verdade fomos jogados aqui por uma força
maior: o acaso.
Os poucos de nós que
nos damos conta, somos fadados a viver insatisfeitos. Seja porque não nos
encaixamos em algum lugar, como no teu caso, seja porque, se nos encaixamos,
somos constantemente frustradas pelo desinteressante mundo e pessoas ao nosso
redor, meu caso.
Mas às vezes, fatalidade
do destino, essas pessoas se encontram e nasce essa amizade meio louca e
completamente diferente. Eu e tu.
Eu te amo.
Queria escrever mais e
abrandar essa teu coraçãozinho de metro e meio de mulher, sete palmos de
beleza, tristeza e olhar gateado, mas eu tenho que ir comprar as coisas pro teu
café da manha, meu amor...
A gente continua essa
conversa com a boca cheia.
04 de Julho de 2010
Dos sentimentos desabrigados
Hoje, já não tenho mais o azul exuberante dos teus olhos a guiar os meus, tochas acesas na escuridão que eram meus dias. O teu sorriso tão doce e tão decidido já não dança mais nos teus lábios pálidos. Eu sinto falta da tua voz também, das nossas rotinas bobas, dos nossos sentimentos escondidos e dos nossos pudores absurdos, partilhados sem palavras.
Desde aquele dia cinza não tem nada que eu deseje mais do que não sentir. Não sentir essa presença latente de algo que não está mais lá, membro amputado que vive a me enganar. Não sentir mais o desespero que me toma sempre que me dou conta do quão definitiva é a morte, prisão perpétua a enclausurar meus sorrisos.
Não foi só o perfume que a tua amiga usava, e que antes eu e tu adorávamos que aboli da minha vida aquela noite. Abandonei tantas coisas... Nossos planos foram relutantemente deixados para trás; meus sonhos tolos de menina atirei todos na face daquele por quem tu tanto clamou.
Tenho quisto perder. Tenho acalentado minhas dores. Meus amores andam perdidos por aí, sem pátria, exilados de ti. Os portões de minha alma foram selados para sempre de certos sentimentos que não me julgo mais merecedora de sentir, não se tu também não os pode vivenciar.
Fui privada de ti e me privei dos meus. Não suporto mais ver a esperança do que acreditam que me tornarei nos olhos dos que me conhecem. Não me tornarei nada, não entendem? Tornarei-me matéria seca e sem vida, como todos. Não quero viver, quero que passem os dias, quero que voem as horas, quero que o tempo se baste de mim e me dê descanso.
Afinal, se for necessário sentir tudo isso para que tua memória não se esvaia, pelo tempo que o ar insistir em vir corpo adentro, sentirei com prazer tudo que me foi imposto sentir pela tua ausência.
“Laissez, laissez mon coeur s'enivrer d'un mensonge,
Plonger dans vos beaux yeux comme dans un beau songe,
Et sommeiller longtemps à l'ombre de vos cils!”
Plonger dans vos beaux yeux comme dans un beau songe,
Et sommeiller longtemps à l'ombre de vos cils!”
(Baudelaire)
Roza Larissa
de tudo que eu te queria dar
As minhas palavras não bastam. Eu queria te dar mais. Eu queria te restituir o viço da pele, o brilho do olhar. Eu queria te fazer voltar a gargalhar como antes. Te fazer ser aquela mulher segura outra vez. Sim, aquela, eu sei que você lembra. Aquela mulher que massageava a ruga que morava entre minhas sobrancelhas e me dizia no ouvido que ia cuidar de tudo.
Eu queria escolher um amor bom pra ti. Um amor que não te machucasse, que cuidasse e te amasse. Não precisava durar a vida inteira, bastava te fazer feliz por um verão. Mas as minhas palavras, elas não bastam. Elas não curvam o tempo.
Eu odeio o tempo. Odeio tudo que ele nos rouba. Tudo que ele roubou de ti, meu amor. E ele, tal qual abismo sem fim, hoje te rouba o fiapo daquilo que te é especial. Mas eu vou estar contigo. Eu vou te afagar a cabeça, não tenha medo. Eu te amo.
Eu te olho nos olhos hoje, com o coração partido, e vejo a fome que há neles. Fome de tempo.
Eu também queria voltar no tempo contigo, pra mudar tudo aquilo que não deveria ter sido. E pra te fazer ver as escolhas certas, pra te apontar a direção, pra te puxar comigo por um caminho diferente. Eu poderia ter feito tanta coisa, mas eu não sabia ainda.
Não se culpe. Tente sorrir apesar de tudo. Afinal todos nós somos vítimas de nós mesmos. Vítimas da impossibilidade de darmos ao nosso corpo outra direção, de saber em que porta entrar. Não se culpe, derrame algumas lágrimas salgadas e pense que afinal tudo passa. Sim, tudo é alheio a nós e tudo passa.
Não chore pelo que já passou. O passado está morto. O que está para acontecer também já é passado. Esqueça. Perca-se em mim e comigo (perder-se é encontrar-se). Deixe o esquecimento te banhar. Sou tua mãe, não só tua filha. E eu estou aqui contigo.
das minhas abstinências
Outro dia, um moço dos olhos d’água veio me falar de como acreditava que todos os papéis importantes da minha vida pareciam estar ocupados. Mas eu não tenho um loteamento dentro de mim, muito menos espaços premeditados.
As pessoas simplesmente chegam e criam seu próprio espaço. Eu sou mata virgem e tenho meu coração e meus sentidos abertos para a grande novidade que cada um pode ser. As pessoas vêm e fincam suas estacas no meu peito, criam sua história, constroem em mim seus desejos e fazem dos seus, meus sonhos.
Algumas pessoas podem despertar tantos sentimentos. Bons, maus, inesquecíveis, risíveis, mas todos com seu grau de loucura e preciosidade. Eu amaria as pessoas se não as repelisse tanto. Algumas me despertam tanto interesse! Mas com a maioria sinto apenas um ante-cansaço de saber que não vou encontrar ali nada de novo, nada que me surpreenda.
Ademais me abstenho do mundo. Deixo o mundo chegar a mim da maneira que ele desejar. Tento não me aprofundar demais, tento fechar os olhos, tento ser o oposto absoluto de todos, tento ser o não sei.
Depois de tanto pensar, tanto sentir sem sequer tocar na vida, fecho, cansada, as janelas do meu coração. Excluo o mundo e todos e por um momento me dispo de mim. Amanhã voltarei a ser eu. Deixem-me ser o nada hoje.
Roza
das feições das minhas saudades
Eu queria ser imune à saudade. Eu não quero mais senti-la. Se preciso for renunciar a várias vivências, aceito a conseqüência. Tem sido assim minha vida inteira: se algo me desperta interesse, é tirado de mim rápido demais. O grau de interesse é inversamente proporcional ao tempo que a vida me cede com o alvo das minhas saudades.
Tantas vezes fingi não ver as pessoas especiais que tropeçavam no meu caminho, só pra depois não ter que lidar com este sentimento.
Mas às vezes eu não consigo resistir.
Outro dia estava eu tranqüila e sorridente sentada numa mesa de bar quando um par de olhos castanhos me incendiou a alma. Eu tentei voltar minha atenção para o sorriso lindo da amiga à minha frente, ou para qualquer outra pessoa que me interessasse menos que aqueles olhos devoradores. Mas a minha curiosidade sempre me vence.
Permiti-me viver.
Encontros apressados na beira mar, mãos quentes procurando as minhas. Olhos atentos sempre fazendo o meu olhar procurar o chão. Noites tão longas e tão curtas.
Não poderia ser diferente, o meu tempo acabou rápido demais.
Hoje a minha saudade tem feições fortes, olhos que descobrem o que não quero mostrar e cabelos escuros que ao sol torna-se de uma cor que não sei explicar, tal qual o que estou sentindo agora.
Mas que direito tenho eu de sentir saudades? O que é a saudade perante toda uma vida para a qual temos que voltar? Como posso eu competir com o que poderia ter sido, com o que nunca serei?
O que me resta é esperar que a ausência do calor de um corpo que não está mais aqui passe por mim como o próprio corpo já passou.
Roza Larissa
Das palavras guardadas, ansiosas por falar
Eu queria. Olhar-te nos olhos uma última vez, como eu queria. Segurar assim no teu queixo delicado e olhar bem dentro daqueles profundos olhos azuis e te dizer o quanto eu te amo, o quanto este amor nunca, nunca, vai acabar.
Depois eu queria sentar contigo no chão gramado e, de cabeça baixa e pedaços de grama entre os dedos, te falar de tudo que tem acontecido nesses três anos. Tantas batalhas internas, eu brigando loucamente comigo mesma. Eu ia te falar também de como eu tenho sido fraca, tentando não pensar em ti, tentando não planejar o amanhã.
Eu queria te contar de como eu pego minha dor com as mãos, brinco e me rio dela e depois (quando ninguém está olhando), eu a guardo com todo o cuidado no fundo do meu peito, onde eu acho que ela deve permanecer para sempre.
Eu ainda queria te mostrar tudo que eu já vivi, o quanto eu deixei de ser aquela garotinha que tu tinhas que dar sermão. Queria que você experimentasse ouvir Svefn-G-Englar comigo, deitadas no sofá, uma com cada fone, eu queria tanto ver os teus olhos brilhando ao perceber que acabara de conhecer uma música tão linda e diferente.
Eu queria rir daquela tua dancinha linda. Fazer cócegas em ti e por entre nossos risos te perguntar por que os meus dias são tão cinzas sem ti; Por que tu, dentre todas as pessoas, teve que partir.
Eu olho em volta, sentimentos e pessoas vão desmoronando; casas são pintadas de cores engraçadas; fotos outrora tão importantes hoje vejo teus amigos descartarem; teus antigos amores, com roupas novas, saem para te esquecer. Tudo vai mudando como se o mundo precisasse fingir que você não existiu e dentro de mim só a tua morte jaz erguida, sentimento constante e permanente.
O que eu não daria para ver, uma única vez mais, uma janelinha azul claro avisando: “Sú acabou de entrar.”
das vontades do meu coração
Eu só quero a responsabilidade do primeiro beijo. Depois disso nada sei. Não me peça garantias, não posso dizer se vou até o fim, se vou parar antes do imaginado. Eu não sei. Sou imprevisível. Faz parte de mim, odiar paradigmas.
Já tentei fazer o planejado, responsabilidades e promessas jogadas na face, mas essa vida de vírgula em lugares corretos me farta.
Sempre faço as vontades do meu coração. Não sei se o trato como uma criancinha doente, mimando-o, ou se dou logo o que ele quer para que ele se acalme e volte para a sua letargia natural, fatigado de mais um final brusco.
Tudo é gostar, é satisfação, é encontrar no outro o que amamos e falta em nós mesmos. Então por que se preocupar por quanto tempo isso nos bastará?
A única coisa que tento pensar é: “Porque não? Talvez seja bom. Talvez eu até queira repetir.” Quase sempre o desinteresse me toma. Mas o meu desinteresse não vem de dentro de mim.
Ah... Mas quando é bom... Quando existe o querer mais... A sensação do prazer já sentido a se repetir, quando você já conhece de tal forma as nuances desse prazer ao ponto de saber todas as direções que ele há de tomar, olhos abertos no momento certo, pontas de dedos afagando pele macia... Aceito a dádiva. Por menor que seja o sentir, em todas as suas formas, é verdadeiro. Fecho os olhos, é o bastante.
borboletas no vidro
E dizem que a vida continua
Como as horas passam
Os relógios atrasam
Como a nuvem flutua
Borboleta no vidro
Deixe-a ir pro claro
Pro ar mais raro
Num longo suspiro
E dizem que a vida é breve
Como o tempo errado
Como dia nublado
A história que se escreve
Apressada como um raio
Noiva no mês de maio
A vejo correr pela casa
Folia de juventude em brasa
E poderia até ver seu futuro
Os filhos que teria
Roseiras ao pé do muro
Suzaninhas com medo do escuro
E eu nem a pude conhecer
Nem segurar sua mão na hora cinza
No azul do olhar, do mar e a brisa
Nem saber o que se passava
Nem passar por ela
Nesse abismo que o coração
Deprime ao chão e eleva em asas
E agora me olhas lá de cima
Sorriso em alvoroço
Beijos dobrando a esquina
E agora a minha lembrança guarda
Em minha memória vive
Suzaninhas correndo pela casa
Livre, livre!
Para um brincalhão raio de luz que me tocou de leve a testa e me deixou uma Roza com z de lembrança.
(Pedro)
Os relógios atrasam
Como a nuvem flutua
Borboleta no vidro
Deixe-a ir pro claro
Pro ar mais raro
Num longo suspiro
E dizem que a vida é breve
Como o tempo errado
Como dia nublado
A história que se escreve
Apressada como um raio
Noiva no mês de maio
A vejo correr pela casa
Folia de juventude em brasa
E poderia até ver seu futuro
Os filhos que teria
Roseiras ao pé do muro
Suzaninhas com medo do escuro
E eu nem a pude conhecer
Nem segurar sua mão na hora cinza
No azul do olhar, do mar e a brisa
Nem saber o que se passava
Nem passar por ela
Nesse abismo que o coração
Deprime ao chão e eleva em asas
E agora me olhas lá de cima
Sorriso em alvoroço
Beijos dobrando a esquina
E agora a minha lembrança guarda
Em minha memória vive
Suzaninhas correndo pela casa
Livre, livre!
Para um brincalhão raio de luz que me tocou de leve a testa e me deixou uma Roza com z de lembrança.
(Pedro)
Poesia mais linda que Predo escreveu pra minha flor de maracujá.
dos que foram especiais e sempre o voltam a ser
Eu procuro as pessoas. Não tenho escrúpulo nenhum de pensar que posso incomodar, mas quando a saudade vem dobrando a esquina, espiando pra ver se estou em casa, fujo apressada pela porta traseira e vou atrás do que ela quer assim ela nem me atormenta.
Mas hoje reparei que há algumas pessoas a quem eu procuro e de quem eu me perco constantemente.
Tem uma menina que desde 2004 ilumina os meus dias. Ela vai e volta, ama e desama, está e não está ao meu alcance, mas ela nunca me sai dos pensamentos. Já vivemos tantas coisas. Ela já me ajudou tanto, já brigou comigo, já foi legal, já foi chata, já me salvou de mim mesma. Eu estava triste num dia ensolarado e cheio de pessoas a sorrir e a cantar, quando ela apareceu na minha vida e pediu pra fazer morada permanente nos meus dias, eu, que nem sou boba nem nada, a puxei pra minha vida antes que ela mudasse de idéia. Desde então foram tantos passeios pela beira-mar, tantos amores vividos, tantas viagens sem destino... Ela me ama e eu a amo. E ela tem uma voz tão doce...
E tem um garotinho que eu encontrei por acaso numa tarde ensolarada no meio de uma rua enlameada em 2002, porque minha amiga pensou que ele fosse o irmão dele. A blusa listrada preta e branca que ele usava ainda está guardada no meu olhar. Ele está sempre indo e voltando dos meus dias. E é tão bom reencontrar.
Tem também um moço todo especial e de nariz empinado, pregando poder controlar tudo: desde o seu cachorro ao mais sutil sentimento, mas que, na verdade, tem dentro de si um garoto de 16 anos todo assustado e de cantos de boca para baixo. Estávamos eu e aquela garotinha da voz doce perdidas numa rua de pedras engraçadas quando nossos destinos se cruzaram com o garoto de nariz empinado, foi no belo 2006, o ano antes. Um ano tão doce e apaixonado, como se fosse a ceia antes da sentença... Esse moço de nariz a fitar o céu é todo lindo e todo perfeição. Ele é um sonho. E eu sempre que posso o resgato para os meus dias. Acalentadores dias...
E há ele. O que está tão longe e tão próximo de mim. Frágeis muros de vento, fronteiras, a nos separar. Conversas salvas, afagos prometidos e um ou outro DDD me provam que ele é real e que eu ainda estou sã. Hoje mesmo ele salvou meu dia, que tinha tudo pra ser a sexta-feira mais cinza do mês. Ele entrou no meu coração já empoeirado e passou a tarde toda comigo. Infelizmente às 17:49 ele teve que fugir apressado e pediu pra eu guardar a felicidade dele no mesmo lugar que eu ia deixar a minha. Ele ainda não sabe, mas eu não planejo devolver, a não ser que ele volte pra buscar. Mas ele vem. Eu me enamorei pela alma desse menino desde que eu vi um /infloenzae no mundo dos fotolog’s, em 2004, e desde então ele sempre aparece pra me iluminar os olhos e deixar minhas vontades com água na boca. E mesmo com essas visitas meus dias são cheios de saudades ao avesso. Saudades do que não foi. Do que ainda nem perdi. Do que não é meu.
Roza Larissa
06/02/2010
de sorrisos a cabelos despenteados
Acordo. Cabelos e pensamentos embaralhados. Ela já está no chuveiro. Nos cruzamos na porta. Ela vai preparar nosso café, eu fico enrolando, molhando só o pezinho, aproveitando a sensação da água gelada entre os dedos. Quando vou tomar café ela já está se maquiando. “Amanhã tu acorda as 06:30. Vou me atrasar, Roza!”, “Vai sozinha.”, retruco. Seguro um sorriso, ela também. Sabemos que não vamos sós.
Chego no trabalho mais cedo do que deveria. O “Power” afunda sob meus dedos, e me preparo para mais um dia sentada na frente dessa telinha. Vejo os emails, atualizo sistemas, e vou pra parte prazerosa: dois cliques nos bonequinhos verde/azul.
Predo diz: Bom dia! \o
Um sorriso se abre no meu rosto, iluminando a minha sala. Aproveito-o para saudar as colegas que chegam, e volto a minha atenção pra janelinha piscando aqui em baixo.
Antes mesmo do convite de exibição da webcam vir já o vejo. Camisa amarrotada me fala de batalhas na cama. Estendo a mão pro monitor, quase sentindo os fios bagunçados abraçando meus dedos.
Ele já está ali, o sorriso, meio escondido, entre uma covinha e outra, tentando, inutilmente, passar despercebido. Eu o instigo. Falo bobagens. Ele morde o lábio inferior. Não quer aparecer. Em vão, ele já está ali, já é meu.
Prelúdios de conversas em domingos que nunca virão me passam no cantinho do olho. Eu, ele, ela e ele. Muros de vento nos cercando. Muros que embora não possa ver, sinto. Sinto até quando não está lá. Principalmente quando não está lá. Onde estará?
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