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da inconstância (da vida e dos sentimentos)


Olhos se cruzam. Redes de encantos são atiradas um ao outro. Encontros inesperados à beira mar, duas garrafas de vinho, duas taças sujas de terra, muitos sorrisos na boca... Sabores descobertos, conhecimentos mútuos um do outro se expandem, expectativas começam a pulular nas mentes (e corações) um do outro. 

Cada pequeno minuto a mais é um a menos para o inevitável fim.
E por que não teria fim? Somos todos finitos, nós e o que nos cerca, porque um reles sentimento não seria? Uma coisa que sequer pode ser tocada... É óbvio que acabaria, para logo depois se iniciar outro ciclo. Tudo de novo, mas sempre de modo diferente. Não importa quantas vezes amamos, sempre nos parecerá diferente.

Então o que buscamos seria uma pessoa em especial ou um determinado estado de espírito? Amar é tão importante assim, ao ponto de dedicarmos nossos dias, doarmos não só nossos corpos, mas nosso tempo, nossa solidão ao outro? 

Quem no mundo decidiu que amar seria nossa utopia? E o que sentimos nesta vida? Coisas tão avassaladoras me inundam a alma. Sentimentos tais que senti-los é quase perecer, tão poderosos sentimentos. Pra onde eles vão? Juras eternas. Ódios. Amores. Paixões. Amizades. Acaba?
Impossível. 
Tudo se transforma. 

Os amores que senti nunca acabaram. Só mudaram... Alguns para amizades profundas, outros para descabidas aversões; há ainda os que simplesmente mergulharam no esquecimento, podendo muito bem retornar a qualquer momento. Amizades transformam-se em amores possíveis, ódios em paixões e essas paixões em indiferença. 
No fim dos nossos dias, será que o mundo a nossa volta guarda nosso gosto quando nos dissolvemos? Será que os seres absorvem um pouco da nossa essência quando esta se esvai de nós? O que será que será?
Tudo permanece, casas, árvores, mar, céu. Somente nós passamos e mal conseguimos deixar para trás um nome...




das feições das minhas saudades



Eu queria ser imune à saudade. Eu não quero mais senti-la. Se preciso for renunciar a várias vivências, aceito a conseqüência. Tem sido assim minha vida inteira: se algo me desperta interesse, é tirado de mim rápido demais. O grau de interesse é inversamente proporcional ao tempo que a vida me cede com o alvo das minhas saudades.
Tantas vezes fingi não ver as pessoas especiais que tropeçavam no meu caminho, só pra depois não ter que lidar com este sentimento.
Mas às vezes eu não consigo resistir.
Outro dia estava eu tranqüila e sorridente sentada numa mesa de bar quando um par de olhos castanhos me incendiou a alma. Eu tentei voltar minha atenção para o sorriso lindo da amiga à minha frente, ou para qualquer outra pessoa que me interessasse menos que aqueles olhos devoradores. Mas a minha curiosidade sempre me vence.
Permiti-me viver.
Encontros apressados na beira mar, mãos quentes procurando as minhas. Olhos atentos sempre fazendo o meu olhar procurar o chão. Noites tão longas e tão curtas.
Não poderia ser diferente, o meu tempo acabou rápido demais.
Hoje a minha saudade tem feições fortes, olhos que descobrem o que não quero mostrar e cabelos escuros que ao sol torna-se de uma cor que não sei explicar, tal qual o que estou sentindo agora.
Mas que direito tenho eu de sentir saudades? O que é a saudade perante toda uma vida para a qual temos que voltar? Como posso eu competir com o que poderia ter sido, com o que nunca serei?
O que me resta é esperar que a ausência do calor de um corpo que não está mais aqui passe por mim como o próprio corpo já passou.
Roza Larissa

dos que foram especiais e sempre o voltam a ser



Eu procuro as pessoas. Não tenho escrúpulo nenhum de pensar que posso incomodar, mas quando a saudade vem dobrando a esquina, espiando pra ver se estou em casa, fujo apressada pela porta traseira e vou atrás do que ela quer assim ela nem me atormenta.
Mas hoje reparei que há algumas pessoas a quem eu procuro e de quem eu me perco constantemente.
Tem uma menina que desde 2004 ilumina os meus dias. Ela vai e volta, ama e desama, está e não está ao meu alcance, mas ela nunca me sai dos pensamentos. Já vivemos tantas coisas. Ela já me ajudou tanto, já brigou comigo, já foi legal, já foi chata, já me salvou de mim mesma. Eu estava triste num dia ensolarado e cheio de pessoas a sorrir e a cantar, quando ela apareceu na minha vida e pediu pra fazer morada permanente nos meus dias, eu, que nem sou boba nem nada, a puxei pra minha vida antes que ela mudasse de idéia. Desde então foram tantos passeios pela beira-mar, tantos amores vividos, tantas viagens sem destino... Ela me ama e eu a amo. E ela tem uma voz tão doce...
E tem um garotinho que eu encontrei por acaso numa tarde ensolarada no meio de uma rua enlameada em 2002, porque minha amiga pensou que ele fosse o irmão dele. A blusa listrada preta e branca que ele usava ainda está guardada no meu olhar. Ele está sempre indo e voltando dos meus dias. E é tão bom reencontrar.
Tem também um moço todo especial e de nariz empinado, pregando poder controlar tudo: desde o seu cachorro ao mais sutil sentimento, mas que, na verdade, tem dentro de si um garoto de 16 anos todo assustado e de cantos de boca para baixo. Estávamos eu e aquela garotinha da voz doce perdidas numa rua de pedras engraçadas quando nossos destinos se cruzaram com o garoto de nariz empinado, foi no belo 2006, o ano antes. Um ano tão doce e apaixonado, como se fosse a ceia antes da sentença... Esse moço de nariz a fitar o céu é todo lindo e todo perfeição. Ele é um sonho. E eu sempre que posso o resgato para os meus dias. Acalentadores dias...
E há ele. O que está tão longe e tão próximo de mim. Frágeis muros de vento, fronteiras, a nos separar. Conversas salvas, afagos prometidos e um ou outro DDD me provam que ele é real e que eu ainda estou sã. Hoje mesmo ele salvou meu dia, que tinha tudo pra ser a sexta-feira mais cinza do mês. Ele entrou no meu coração já empoeirado e passou a tarde toda comigo. Infelizmente às 17:49 ele teve que fugir apressado e pediu pra eu guardar a felicidade dele no mesmo lugar que eu ia deixar a minha. Ele ainda não sabe, mas eu não planejo devolver, a não ser que ele volte pra buscar. Mas ele vem. Eu me enamorei pela alma desse menino desde que eu vi um /infloenzae no mundo dos fotolog’s, em 2004, e desde então ele sempre aparece pra me iluminar os olhos e deixar minhas vontades com água na boca. E mesmo com essas visitas meus dias são cheios de saudades ao avesso. Saudades do que não foi. Do que ainda nem perdi. Do que não é meu.
Roza Larissa
06/02/2010