Mostrando postagens com marcador caravaggio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador caravaggio. Mostrar todas as postagens

Narciso


Quem vai te amar?
Quem vai segurar tua mão fria e sussurrar que você não está sozinha?
Quem vai nadar e se perder no teu olhar?
Levantar teu queixo e tua moral? Quem?
Quem vai estar em casa te esperando louco pra ouvir sobre teu entediante dia?
Quem vai te preencher ao ponto de você não precisar mais de conquistas baratas?
Quem vai te saciar, quem vai te amar?




Você seria capaz de me amar?
Você seria capaz de desviar seu olhar do meu?
Você seria capaz de resistir à minha realidade?
Ao que eu sou ao que penso?
Você seria capaz de me amar?


E um espelho é tudo o que há diante de mim.

Bacchino Malato, Caravaggio


 Bacchino Malato (1591, 66x52)

Pintura de olio su tela, de 1593/1954, conservado na Galleria Borghese em Roma.

Trata-se, provavelmente, de um autorretrato do pintor quando o mesmo estava se curando de uma doença, como podemos observar pela cor esverdeada da pele e o azulado nos lábios. A coroa de hedera e os cachos de uva mostra-nos que pintor está representando o deus Dionísio.
Podemos notar o estilo caravaggesco pela falta de esforço que o pintor faz em embelezar a obra, ao contrário, ele nos mostra o corpo e o ser humano exatamente como é. Sem seguir os padrões de beleza da época.
Alguns estudiosos acreditam que o quadro seja uma alegoria a Jesus, onde as uvas simbolizam a paixão de Cristo e a perna esquerda ligeiramente levantada uma alusão a ressureição. Ou talvez, como nos faz crer o sorriso quase confidente de Baco, o artista queira-nos passar a mensagem de que sobreviveu, levando o cacho de uvas maduras à boca como símbolo de saúde, longevidade e plenitude de vida e a perna levantada como significado de renascimento, mas também de vitória, de triunfo ante a doença.